sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Estórias e segredos de Roberto II

Foi quando Ana o levou para o hospital. Roberto não tinha mais forças para escovar os dentes, não saia da cama muito menos conversava. No hospital resolveram internar ele, mais alguns dias e Roberto passava dessa para uma melhor. Pelo seu estado critico, Roberto entrou em profundo coma, ficando um ano desacordado. Ana já não esperava nada, durante esse tempo se preparou para morte de seu amado. Teve tempo para se endividar, não tinha dinheiro o suficiente para pagar suas contas e as despesas do hospital. Ana se recusava a procurar um emprego, não se via atrás de um balcão, e sim na frente. Passou por muita coisa enquanto Roberto estava no hospital, conheceu homens que a fez se sentir amada novamente, mais homem para Ana tinha que ter dinheiro. Mais com sorte conseguiu entrelaçar um homem rico, porem velho, ruim de alma e corpo, pessoa que só olhava para seu umbigo, era grosso, suas preocupações eram quando suas empresas não davam lucro e sim prejuízo. Mais o velho sempre teve experiência, e sempre tomou conta de tudo sozinho. Mais nada importava para Ana, só o fato de saber que ele era podre de dinheiro já o colocava no topo. Ana então investiu no velho, deixando tudo pra trás, pegou suas coisas e foi viver em Londres. Roberto já não estava com a mesma sorte, a empresa onde ele trabalhava já não queria se dar ao luxo de pagar as despesas do mesmo. Então o hospital foi obrigado a mandar Roberto para rua, ou para outro hospital, que fizesse caridade. Ele desacordado, falido e sem ninguém que se preocupasse com ele, não sobreviveria por muito tempo. Era só uma questão dos chefes de plantão tomar a decisão de matá-lo com uma pequena injeção. Mas ao longo desses doze meses, uma pessoa em particular, reconheceu Roberto. Uma mulher que trabalhava no hospital, uma doce e gentil enfermeira. Carolina. Carolina não foi do começo sua enfermeira, Roberto teve varias enfermeiras, pois seu caso era critico, então toda atenção era voltada para ele. Mais no final acabou ficando só Carolina. Enfermeira Chefe, que se cuidava de Roberto não por necessidade, e sim por escolha. O hospital tinha muitos casos graves fora o de Roberto, mais Carolina foi se aproximando e criando um grande carinho por ele. Até que no fim o levou para casa, para que cuidasse dele; Seu marido havia falecido há seis meses, Carolina então sentia uma vontade grande em ajudar alguém, ajudar alguém a melhor, pensar que poderia salvar a vida de Roberto lhe confortava por um lado. Confortava-lhe a alma, em saber que não pode fazer nada pelo seu marido, faria de tudo por Roberto. Pois perder alguém que estivera tão perto dela, mais tão longe de poder ter feito algo, machucava o peito.
Foi onde cuidar de Roberto foi seu modo de se perdoar. E os dias foram passando, semanas, meses, quando enfim Roberto acordou. Acordou como se tivesse dormido apenas oito horas, como se estivesse tudo normal, acordou disposto, acordou se espreguiçando todo, arrumando o cabelo, procurando o chinelo ao lado da cama, esticando o braço ainda com os olhos meio fechados a procura de seus óculos, quando ao abrir os olhos se depara com duas lindas meninas, em pé olhando-o e lhe dando um belo sorriso, um sorriso que lhe trazia lembranças de um tempo que pra ele eram mágicos, memórias de Carolina. Era de manhã, horário em que Carolina ainda estava no hospital, horário em que a babá saia para comprar pão na padaria da esquina, eram oito horas da manhã. E Roberto assustado querendo se achar naquela casinha simples, naquelas janelas de madeira com pássaros que vinham cantar, naqueles três cômodos que se separavam por lençóis, naquelas meninas lindas que andavam descalças, com o olho cheiro de remelo, o cabelo ainda bagunçado, a roupa de dormir rasgada, mais com semblante que não deixava duvida de felicidade, quem eram elas? Onde ele estava? Porque tudo era tão normal para ele? Se fosse antes, ele estaria gritando, sairia correndo, ou mandaria aquelas meninas saírem de perto dele, mais não, algo tinha acontecido com Roberto. Não eram só remédios, não era só o tempo que tinha passado demais, era carinho, era amor, um toque de atenção, dois de afeto e muitos de esperança. Tudo aquilo era injetado direto na veia, tocava a alma e voltava transparecendo no olhar. Roberto era um novo homem, cheio de vida, ele respirava vida, ele olhava e via, ele queria mais daquilo, não sabia ao certo o que era, mais tinha certeza que era o que ele queria. Passando alguns minutos em silencio naquele quarto, Vera, a babá chega da padaria.

Ela:
Meu bondoso Deus, que milagre, você acordou. Perai tenho que ligar pra ela.
Ele:
Como assim acordei mulher, dormi tanto assim? Ela quem?
Ela:
Meu Deus você perdeu a noção do tempo, você moço dormiu por volta de 13 meses. Carolina que vem cuidando de você. É pra ela que eu vou ligar.
Ele desorientado, fica quieto ao ouvir o quanto tempo ficou a dormir. Mas ao ouvir o nome de Carolina... : Carolina? Ela tem cuidado de mim? Mais onde ela esta? Esta é a casa dela?
Ela:
Calma moço, muitas perguntas. Ela vem cuidando todo esse tempo do senhor. Mas agora ela esta no trabalho, só volta mais tarde, isso se ela não for para o bar.

Foi quando Roberto percebeu que todo este tempo foi atrás de Carolina, quase morreu por achar que a vida não lhe interessava mais, quando a vida chega até ele, quando percebe que foi preciso passar por tudo isso para conseguir ter Carolina por perto. Foi bem planejado? Isso seria o melhor modo de conseguir a atenção dela? Roberto se entristece em perceber que quase perdeu a moça que morava em seus sonhos, quase perdeu tudo por achar que era incapaz de conseguir nem que fosse um ‘oi’ dela. Mas mesmo sabendo de tudo que tinha acabado de acontecer, ele percebe que nasceu de novo, teve a oportunidade de começar uma nova vida, e que não eram pensamentos negativos que ele queria começar aquela vida. Era sorrisos, era mais sede de alma, era mais felicidade, era mais paixão pela vida. Ele deu tudo que ele tinha, entregou sua vida, não sabia o quão poderoso aquilo era, mais quando recebeu de novo, sabia que tinha muitas coisas a fazer.
cont..

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